Sobre mim

(Pequena autobiografia escrita ao som de Yppah, “Bushmills”)

Barbara Maidel [mái-dêl]. Sem acento. Nasci em Blumenau (Santa Catarina) em 1990, mas hoje moro em São Paulo. Funcionária pública. Musicalmente, eclética mórbida (mas não gosto de quase nada de reggae, power metal, happy hardcore, agropunk). Não sei nadar. Não sei dirigir. Nunca fui à manicure (pinto as unhas em casa, não tiro cutículas). Nunca tive empregada ou diarista (OK, diarista tive por um dia, por insistência do meu pedreiro de confiança, que queria arranjar um trabalho pra sua ex-mulher). Nunca fui ao cinema em São Paulo (pelo menos até janeiro de 2022, mas um dia quero corrigir isso). Não entendo nada de videogames (o único que já joguei a sério foi Tetris).

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Não uso calças jeans nem salto alto. Sempre tive sobrepeso. Vestuário: como se Hermeto Pascoal às vezes usasse preto também. Tecidos: algodão e viscose. Calçados: chinelo e tênis. Filmes: Almodóvar, os antigos do Scorsese, Ingmar Bergman, Billy Wilder, Irmãos Coen. De vez em quando recomendo filmes no blog, mas vejo pouco (e revejo muito). Acho dente de ouro bonito. Bebidas: cerveja, vinho, caipirinha (com melado, não com açúcar) – nessa ordem. Inglês ruim. Não, não falo alemão. Conheci meu namorado no Mercado Livre, em 2011 – eu procurava um LP de tributo ao Poison Idea, ele vendia o LP. O André é vegano, ateu, mais velho, domina o português escorreito, sabe muitas coisas que eu não sei (e que me interessam), tem gosto musical tão eclético quanto o meu, gosta de viajar, nunca ficamos sem assunto – ou seja, uma raridade. É uma das poucas pessoas no mundo perto das quais me sinto geralmente à vontade (totalmente à vontade, só na solidão). Moramos num pequeno apartamento (não tem 60m²), e conseguimos, graças à marcenaria sob medida e a algumas habilidades de Tetris, montar uma biblioteca com quase 3.500 livros nessa casinha. Não, não parece casa de acumuladores, dá pra dançar tranquilamente na sala.

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Sou noturna, mas já fui ultranoturna. Politicamente, conservadora de centro-esquerda. Às vezes omito o “conservadora” porque o termo está corrompido no Brasil e é usado por reacionários – malucos tão nocivos quanto os revolucionários. Acho o identitarismo uma peste. Defeitos que mais me incomodam: afetação, arrogância desmedida, síndrome de boa-praça, futilidade, puxa-saquismo, heroísmo da moral e cinismo. Qualidades que mais me agradam: espontaneidade, gentileza, “mentalidade aberta”, “originalidade inteligente”, coragem, clareza na comunicação e bom humor. Empregos dos sonhos: dubladora, radialista – queria ter um programa chamado Invasão Barbara, e a “linha fina” seria “apavorando os romanos desde 1990”; talvez um dia possa ser um podcast –, dona de cervejaria com bar, ilustradora de livros infantis, e, claro, escritora, embora seja cada vez mais difícil escrever e não consiga finalizar inúmeros contos começados.

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Gosto de trabalhos manuais, de deixar minha casa aconchegante, de fazer caminhadas. Não sou boa pra cuidar de plantas, então só costumo ter aquelas que não exigem muita atenção. Prefiro que não me aluguem pra falar de doenças, reclamar que estão envelhecendo ou lamúrias gerais. Sou favorável à descriminalização das drogas, da injúria e do aborto nas primeiras semanas de gestação. Desde criança defendo o cabelo pixaim e o “rosa e azul são cores de todos”. Unhas compridas me dão gastura, especialmente se quadradas, e ainda por cima considero muito anti-higiênicas. Passaria minha vida muito bem sem refrigerante e chocolate. Passaria muito mal sem cerveja e frituras. Prefiro frio. Prefiro salgado. Prefiro Schopenhauer. Prefiro Beatles – embora goste de muitas músicas dos Rolling Stones. Prefiro que me chamem pelo nome, não por apelidos (“Bá”). Se não morasse no Brasil, gostaria de morar na Espanha ou na Alemanha. Minha “formação formal” é precária, em centro universitário. Não sou especialista em nada. Estudo Libras. Há muitos anos não toco violão. Tenho gratidão pela vida, pelas invenções que facilitam nossa rotina doméstica e pelo avião.